Antonino gracejou com a irmã, que conservou o seu habitual aspecto ironico e altivo.
Aquellas picadas d'alfinete não tinham importancia, mas faziam soffrer Laura, que, como todos os espiritos ternos, resentia-se da falta de sympathia que a cunhada constantemente lhe testemunhava.
Estephania tambem julgava Laura com severidade sob o ponto de vista religioso.
Entretanto a viscondessa, educada por uma mãe excessivamente devota, era crente, e por vezes até supersticiosa como uma hespanhola.
Para a menina de Bizeux, porém, havia duas religiões, a que os homens seguiam, e a que era seguida pelas mulheres.
Os homens podiam contentar-se em ir á missa aos domingos, comer de magro ás sextas feiras, e confessar-se uma vez por anno, pela quaresma.{168}
As mulheres deviam, alem d'isso, comer de magro todos os sabbados, dia em que deviam tambem confessar-se, commungar todos os domingos e jejuar nas vesperas dos dias santificados.
Ora Laura limitava-se a seguir a religião dos homens; portanto era uma impia, votada ás chammas eternas!
De fórma que a unica mulher com quem podia ter relações d'amisade fugia da sua convivencia.
Em vez de ser amiga e irmã, Estephania era inimiga.