E se Laura procurasse relações entre as damas que viviam nos castellos mais proximos não encontraria espiritos mais esclarecidos do que o de sua cunhada.

O conde adorava a musica quasi tanto como Antonino, e sentia-se verdadeiramente feliz quando Laura se sentava ao piano e cantava qualquer das arias em que d'antes fôra tão applaudida.

Se o canto fosse religioso ou mesmo popular, Estephania escutava com indulgencia.

Se, porém, a palavra amor fosse uma só vez pronunciada, levantava-se cheia d'indignação e sahia altivamente da sala.

Este ultimo caso dava-se com frequencia, porque o amor é um thema musical frequentemente usado pelos compositores.{169}

Pelo menos Laura, agora, tinha mais um ouvinte: o conde.

Isto não a impedia, como já estava em França e lia os jornaes parisienses, de suspirar quando encontrava nos periodicos noticias de theatro e as narrações dos debutes e das primeiras representações.

O que lia era para ella o brilho, o ruido, a vida!

Se não tivesse abandonado o theatro, seria d'ella que os jornaes fallariam!

Esse eterno esquecido que se chama Paris, tinha-se por muito tempo occupado d'ella!