Logo que sentiu ruido, levantou vôo para uma arvore proxima, saltando depois de ramo em ramo, dando gritos desolados, inquieta por ver os filhos á mercê de seres humanos.

Laura sentiu um prazer quasi maternal, em metter pelos bicos dos passarinhos esfaimados, com a ponta do seu dedo côr de rosa, bocados de bolo, que previamente amolecia entre os labios.

Ao outro dia foram tambem ver o ninho.

Estava vasio.

O pae e a mãe tinham levado os passaritos.

Laura ficou triste, sem saber porque.

Como Antonino lhe perguntasse a razão d'aquella tristeza, Laura respondeu:{172}

—É lugubre este ninho abandonado, lugubre... como um berço vasio!

Depois d'um momento de silencio, perguntou:

—As aves, quando encasalam, teem sempre filhos, não é verdade?