—Sempre, pela primavera, respondeu Antonino.
—Como as aves são felizes!
Antonino comprehendeu.
Percebia perfeitamente qual era o vacuo que havia na vida de Laura, e esforçava-se sempre por lhe procurar distracções.
Não servira na marinha, como muitos dos seus antepassados, mas todo o bretão é marinheiro.
Adorava o mar, e um dos seus maiores prazeres era andar embarcado.
Poucos dias depois de chegar a Saint-Malo, comprou uma chalupa de recreio.
O barco era estreito na proa, baixo de caverna, branco, com uma larga facha vermelha, e tinha meia coberta.
Os passageiros tomavam logar á pôpa, n'uma especie de camara oval, cercada d'um banco em que cabiam oito pessoas.
Na coberta tinham improvisado um casinhoto em que mettiam as malas e as provisões, e um leito estreito, em que uma pessoa tinha suficiente espaço para dormir ao abrigo do vento.{173}