Eram tantos os cuidados e attenções que a pessoa do monsenhor lhe merecia, que Estephania não deu pela falta da cunhada no banco da familia.
Repentinamente, a seguir a uma nota grave soltada pelo orgão, elevou-se uma voz, melodiosa e pura, e cantou, com perfeição e expressão d'adoravel suavidade, um trecho de Handel, que conservou em extasi o auditorio maravilhado.
A mesma voz cantou depois o offertorio do mesmo compositor, com tal arte e vigor que a todos causou espanto.
O arcebispo de Rennes, que era profundo conhecedor de musica religiosa, balanceava a cabeça e movia as mãos com beatitude.
Trocaram-se phrases d'admiração, e se não fosse o respeito á santidade do logar, com certeza todos os ouvintes teriam applaudido com delirio.
Terminada a ceremonia, a primeira pergunta do arcebispo, ao entrar na sachristia, foi:
—Mas quem é a admiravel virtuose que a todos nos encantou?
O conde, que entrava acompanhado de Laura, respondeu triumphantemente:
—Foi minha nora, a sr.ª viscondessa de Bizeux, que tenho a honra de apresentar-lhe, monsenhor.{178}
—Na realidade a sr.ª viscondessa é uma artista de primeira ordem! disse o arcebispo.