Laura, porém, oppozera-se a essa determinação, dizendo:

—Estephania necessita dos cuidados d'uma senhora. O meu logar é á cabeceira do leito da irmã de meu marido.

Como a menina de Bizeux declarasse que não desejava incommodal-a, principalmente por ser ardua a tarefa, Laura respondeu:

—Pergunto a Antonino se eu sou enfermeira descuidada...{181}

Laura, a impia, tinha o mais absoluto despreso pela morte, emquanto que Estephania, a devota, a temia sobremaneira, como d'ordinario succede a todos os espiritos fracos.

Essa circumstancia fez com que a menina de Bizeux acceitasse, sem mais opposição, o offerecimento de sua cunhada.

Durante mais de duas semanas em que a doença apresentou maior perigo, Laura tratou Estephania com a mais dedicada sollicitude, nem um momento desmentida. A menina de Bizeux parecia surpreza e commovida.

Entretanto, no primeiro dia em que poude sahir do quarto, disse simplesmente a Laura:

—Agradeço-lhe e peço lhe que acredite que, no seu logar, teria procedido da mesma fórma.

—Não duvido, replicou Laura surprehendida da frieza d'aquellas palavras.