—Como vaes tu, carissima?

Laura respondeu altivamente:

—Eu chamo-me viscondessa de Bizeux!

—Viscondessa?... Hum!... Emfim, seja! Effectivamente disseram-me, em Saint-Malo, que tinha casado com o sr. de Bizeux, e que pertencia officialmente á familia do visconde. Mas o casamento effectuou-se em Inglaterra, não é verdade? Ninguem desconhece essa especie de casamentos... enlaces pouco duraveis, tão faceis de fazer como de desfazer. Casa-se em frente d'um padre catholico, mas nem por isso o casamento deixa de ser civil, o que illude a lei.

—Mas affianço-lhe... replicou Laura.

Interrompeu-se para ajuntar em tom desprezador:

—Que me importa o que o senhor pense! Acredite ou não, é-me indifferente!

—Está bem! respondeu, rindo ironicamente, Lauretto Mina. Que a viscondessa esteja mal, ou bem tincta, é questão secundaria, que não me impede de prometter solemnemente tratal-a pelo seu titulo, com todas as attenções e o mais profundo respeito. Tomo a peito proceder de fórma que reconquiste as suas boas graças.{211}

Depois d'um momento de silencio, olhando-a de revez, accrescentou:

—É possivel que a sr.ª viscondessa tenha a maxima conveniencia de passar, para mim, como uma desconhecida em Saint-Malo. É possivel que não deseje que a reconheçam como sendo a celebre cantora Linda...