—O tempo passa. Vou direito ao fim. Sabe que no proximo mez é a inauguração da nova Opera. O director encarregou-me de dizer-lhe que tinha o maximo empenho em contratar a Linda. Elle acceita uma escriptura nas condições que mais lhe agradem, sr.ª viscondessa, ou seja por anno e por serie de representações.
Laura córou, e esteve sem responder durante alguns segundos.
Por fim disse:
—É impossivel. Eu sou a esposa do visconde de Bizeux.
—Ora adeus!... Nada de patetices!... replicou Lauretto com desdem. A sr.ª é e será sempre a Linda! É possivel que seja viscondessa, mas não deixou de ser artista! Usa agora, legitamente ou não, pouco importa, o nome dos nobres avós d'um fidalgo da provincia, mas, per Bacco! não lhe merecerá mais consideração, não collocará cem vezes mais alto o seu nome pessoal, o seu nome artistico, o grande nome que conquistou pelo seu talento previlegiado? Não posso deixar de lhe lembrar que seu pae tambem{213} era conde. Mas ninguem o conhecia por conde de Marcia, todos lhe chamavam o grande violinista, o grande artista Marcia. Acho extranho que a filha proceda de fórma contraria, deixando offuscar o seu glorioso nome de artista pelo vulgar titulo de nobreza!
O tenor fallava com vehemencia e emphase italiana, mas as suas palavras correspondiam aos intimos pensamentos de Laura.
A viscondessa não respondeu.
Inclinara a cabeça para o peito, pensativamente.
O tenor perguntou:
—Então?... Que resposta devo dar ao director da Opera? Que acceita, não é verdade?