—Nada tem que agradecer-me, replicou Lauretto. Repito-lhe; tenho o maximo desejo em que veja em{216} mim apenas um amigo. Escute-me, Laura: ha mais de dois annos que nem um só momento deixei de pensar em si. A sua imagem está sempre presente ao meu coração. Os sonhos de felicidade que tenho architectado teem sido tantos e taes que nem mesmo me atrevo a relatar-lh'os. É uma verdadeira obsessão! Ah! permitta-me que lhe diga, o que ainda, sentido, nunca disse a qualquer mulher: adoro-a, Laura!
A viscondessa endireitou o corpo, irritada.
Depois d'olhar fixamente, com altivez, o tenor, disse-lhe desdenhosa:
—Creio que ha bocado prometteu tratar-me com todas as attenções e respeito?
Lauretto não poude responder.
Olhando pela porta, viu o visconde, que se approximava.
Portanto disse a Laura, sorrindo maldosamente:
—Não falle tão alto, que póde ouvil-a seu marido.
Laura olhou tambem, e viu Antonino, seguido pela velha, que conduzia um cabaz.
Ao transpor o limiar da porta, o visconde recuou, estupefacto.