A voz tremia-lhe ao pronunciar o nome do tenor.
—Lauretto Mina! disse elle apenas.
—Em pessoa! respondeu o tenor com toda a presença d'espirito. Diz-se, e assim é, que o mundo é{217} enorme. Pois apesar d'isso os amigos encontram-se sempre. Portanto o nosso encontro, sr. visconde, apesar de ser perfeitamente casual, não é para admirar. Vim a Saint-Malo para cantar no concerto d'ámanhã. Uns amigos convidaram-me a passeio n'esta ilha. A tempestade, retendo-nos, fez com que nos encontrassemos. Os seus charutos devem estar molhados; permitti-me que lhe offereça um?
—Obrigado, disse friamente Antonino, acompanhando a palavra com um gesto de recusa.
O tenor fingiu não perceber a frieza com que o visconde o tratava.
Deu um passo para a porta, olhou para o espaço e disse:
—O tempo melhorou. O demonio do vento começa a socegar um pouco. Nada me prende já n'esta especie d'ilha selvagem. Não desejo importunal-os por mais tempo; deixo-os com a sua refeição. Senhor visconde, tenho a honra de o cumprimentar!... Senhora viscondessa, apresento-lhe a homenagem do meu mais profundo respeito!
Tirou o chapéu n'um gesto largo e saiu da cabana.
Antonino seguiu Lauretto com olhar colerico.
—Que tempo esteve este homem aqui? perguntou elle a Laura.