Pelo espaço espalhou-se infinita quantidade de faulhas.

O incendio pavoroso, sacudindo o seu pennacho de fumo ardente, polvorisado de faiscas, alumiou sinistramente a cidade.

A claridade da lua extinguiu-se ante a intensa vermelhidão das chammas.

Ao longe, sobre os telhados, o ondeado das labaredas, que se distanciavam em espiraes phantasticas, fazia dançar as chaminés uma dança macabra, no espaço afogueado.{18} {19}

[II
Antonino de Bizeux]

Antonino de Bizeux residia em Paris havia apenas dezoito mezes.

Até então vivera sempre na Bretanha, com seu pae, no seu palacio de Saint-Malo, ou, na epoca da caça, no castello que possuia proximo de Rascoff.

O visconde viajára muito.

Conhecia toda a Europa e as costas mediterraneas da Asia e da Africa.

Entrára na vida parisiense conservando todas as suas illusões, mas possuido do ardente desejo de se humanisar, como elle dizia, de se tornar distincto na distincta sociedade, de que passava a fazer parte.{20}