Laura saccudiu bruscamente a cabeça.
Parecia querer, com aquelle movimento, afugentar os pensamentos que a torturavam.
Retirou de sobre a mesa tudo o que n'ella havia, para que a sua carta para Antonino ficasse bem em evidencia.
Poz um chapeu de côr escura, um veu espesso, e embrulhou-se n'uma capa cinzenta.
A escada de serviço, que subia até ao quarto de Jacintha, descia para a rua, do lado da casa opposto ao mar.
A porta estava sempre fechada por um ferrolho interior.
Laura abriu a porta do seu quarto com toda a precaução, caminhando na ponta dos pés, para abafar o ruido dos passos, porque o quarto d'Antonino, separado do d'ella apenas por um corredor, tinha tambem uma porta para aquella escada.
No patamar parou por um minuto.
O coração batia-lhe apressadamente. Escutou.
Antonino não estava deitado.