E com efeito assim foi.

Antonino poude chorar.

O correr das lagrimas diminuiu a profundeza do desgosto.

—Ah! meu pae! disse elle, Laura continua amando-me.{263} Chama-me, espera-me! Nunca deixára d'amar-me! E ha já dois mezes que ella me espera? Mas como poude Laura estar tanto tempo longe de mim, sabendo-me perigosamente enfermo? Ou ella ignora que eu estou doente? Não lhe deram noticias minhas?

O conde teve de confessar-lhe que, n'um instante de desvairamento em que lhe parecia inevitavel a morte do filho, escrevera a Laura aquella carta implacavel que lhe interdizia qualquer pergunta, e lhe assegurava que jámais teria noticias de seu marido.

De resto, o conde declarou que n'aquella resposta influira tambem o ter acreditado no que dizia o telegramma desconfiando, por isso, que Laura mentia nas duas cartas. Ao ouvir a explicação do conde, Antonino respondeu:

—Não, não!... Foi o telegramma que mentiu! Laura diz a verdade, porque declara continuar amando-me! Ah! meu pae!... não a conhece! Ella possue o mais sincero e leal coração que é possivel imaginar-se! Tenho a certeza que Laura não sente despreso por esse Lauretto Mina, sente tambem horror!

O conde de Bizeux, apesar de não estar convencido, não quiz contrariar o filho, temendo que de tal contrariedade resultasse aggravamento da doença.

Antonino desejou escrever immediatamente a Laura, perdoando-lhe, chamando-a para junto d'elle sem detença.{264}

O medico, porém, impedia-o de realisar a intenção, declarando-lhe que ainda não tinha forças sufficientes para escrever, e que, fazendo-o, arriscava-se a peorar.