Nas noticias dadas pelos jornaes sobre os espectaculos em que Laura tomava parte, viu, por vezes, o nome de Lauretto Mina ao lado do nome da Linda.

Entretanto cohibiu-se d'apontar o facto a Antonino.

Foi o proprio visconde que um dia lhe fallou nisso.

Com essa intuição que é como a segunda vista do amor, tinha a convicção absoluta que esse homem, esse Lauretto insolente, nada era, nada podia ser para Laura.

Não lhe restava a maior duvida.

Elle, tão concentrado e tão ciumento, como todos os que amam verdadeiramente, sentia que era amado por Laura, que ella não podia amar outro homem.

Lembrou-se dos ultimos dias que tinham passado juntos, das ultimas caricias trocadas, d'algumas injustiças que Laura lhe censurára, e percebia, interrogando o seu coração, que ella seria sempre d'elle, só d'elle.

E tinha razão, porque não só a Linda não amava o tenor, como até o despresava.

Não se limitava a detestal-o, fazia-lh'o sentir.

Laura suspeitava vagamente que Lauretto Mina influira de qualquer fórma no que ella chamava ter sido abandonada por Antonino.{266}