Logo que chegou a Paris, acompanhado por um só creado, installou-se na sua antiga casa de solteiro, no boulevard Haussmann.
Conservou-se deitado sobre um canapé até quasi ás seis horas da tarde, descançando, sonhando.
Pouco depois sahiu, e comprou, como já dissemos, um fauteuil d'orchestra n'uma agencia theatral dos boulevards.{269}
Em seguida foi jantar ao Café Inglez, e ás sete horas e meia entrava na Opera.
Tivera a phantasia, que se transformára em ideia fixa, de tornar a ver sua mulher,—de tornar a ver a Linda,—cantando a parte de Valentina dos Huguenottes, que era justamente o papel que ella representára a ultima vez que a ouvira no theatro, na noite em que lhe salvara a vida.
Tornaria a vel-a, do seu fauteuil d'orchestra, apenas como um simples espectador, e sem que ella desconfiasse da presença d'elle.
Esperava sentir dupla alegria.
Tornaria a ver, simultaneamente, a sua artista predilecta e a sua adorada mulher.
Sentiria as emoções do amador, e os estremecimentos do amante.
A verdade era que, depois da meia anniquilação, da meia morte de que sahia, não se lembrava de experimentar uma tal intensidade de vida nem tanta exhuberancia d'amor.