Companheiros antigos, que com Lauretto tinham passado do theatro Italiano para a Opera, recordaram-lhe, rindo, o que em tempo dissera:

—Não serei o primeiro, mas juro que serei o segundo!

Motejavam d'elle, diziam-lhe que não poderia cumprir o juramento feito, porque, decididamente, a fórma pela qual a diva o tratava, os seus cumprimentos frios, despresadores, não lhe deviam deixar esperança de ser bem succedido.

—Veremos, veremos! respondia Lauretto aos companheiros mordendo os labios com raiva contrahida. Quem espera, sempre alcança. O visconde está ausente, portanto não tenho que temer o rival. Aposto o que quizerem em como poderão verificar qualquer dia... ou qualquer noite, a predicção do nosso antigo emprezario, Pozzoli, que dizia:—A Linda será d'elle!{268}

O odiento adorador da Linda estava n'estas disposições ameaçadoras na occasião em que Antonino chegou a Paris.

O conde de Bizeux manifestara desejos d'acompanhar o filho á capital, em primeiro logar para não se separar d'elle, e depois para velar por Antonino, porque o visconde estava ainda convalescente da terrivel doença que o ia matando.

Mas Antonino tinha a sua idéa.

Instou com o pae para que o deixasse partir só.

Para conseguir a annuencia paterna teve de fazer duas concessões: addiar a partida para oito dias mais tarde, de modo que a convalescença avançasse mais uma semana, e parar em Mans, dividindo a viagem em duas partes, para evitar o cansaço que lhe adviria de uma viagem tão longa.

Pelas noticias dos jornaes elaborara o seu programma d'artista e de amante.