Por vezes, sentindo-se prestes a soltar um grito, retirava os pulsos da luz.{300}
Mas em seguida, considerando aquelle facto como uma indesculpavel cobardia, chegava novamente á chamma a carne já queimada.
Uma das voltas do cordão quebrou por fim.
Mas não era a que formava o nó.
Foi indispensavel continuar a tortura, com todas as precauções e cuidados.
E sentia-se feliz por poder dizer de si para comsigo:
—Soffre, leviana, soffre o castigo da tua falta!
O cordão cedeu emfim.
Então, com um movimento rapido, desembaraçou-se dos bocados que ainda a prendiam, e, sem reparar para o misero estado em que tinha os pulsos—porque o tempo urgia—sentou-se na cama, e desligou os pés, ainda que com bastante custo.
Levantou-se, procurou uma tesoura, e cortou os cordões da mordaça.