O tenor proseguiu:

—Se entrei aqui, empregando meios menos usados e algum tanto violentos, a culpa foi tua. Estou, como muitos outros, loucamente apaixonado por ti. Mas isso não é uma razão para me escarneceres, para me tornares ridiculo para com os nossos collegas, e para mofares de mim com o visconde, teu amante. Tens procedido commigo imprudentemente. Resolvi desforrar-me. Para o conseguir conquistei um coração mais sensivel que o teu, o da Jacintha. Ella introduziu-me na praça—e eis-me aqui!

—Foi bem combinado o assalto, respondeu Laura fazendo um gesto de resignação.

Voltára-lhe a presença d'espirito.{303}

Como se conservasse no limiar da porta, passou resolutamente em frente do tenor e entrou no quarto.

—Estimo que acceites a situação com essa desenvoltura! disse Lauretto sorrindo victoriosamente.

Como ella não respondesse, o tenor continuou:

—Para que me havias de receber com ares tragicos? Tens razão. Jámais se devem desprezar estas palavras: amo-te!

Laura encostára-se a uma secretária Riesener.

O tenor estava na frente d'ella. Elle proseguiu: