Laura socegou Jacintha, consolou-a.
Pelas suas proprias mãos envolveu em algodão em rama os pulsos queimados da creada de quarto, emquanto não podesse ser feito outro tratamento, acompanhou-a ao quarto, deitou-a, e só a deixou quando a viu adormecida.
Voltou para junto d'Antonino.
Até então podéra conter-se, mas a reacção veiu, por fim.
Cahiu sobre um fauteuil e chorou, murmurando:
—Ah! que noite! que scena!...
—Socega, minha querida Laura, disse-lhe Antonino pegando-lhe nas mãos. Passaste uma hora terrivel, que felizmente não se repetirá. Acabou-se!
—Acabou-se! repetiu Laura abanando a cabeça. Se tudo estivesse terminado não me sentiria eu inquieta. Comprehendo que pelo espantoso perigo que corri tu não podesses suffocar a tua indignação. Insultaste terrivelmente esse miseravel. Conheço-o. Lauretto não possue apenas uma alma vil, possue tambem uma alma má. Vingar-se-ha com certeza.
—Pois suppões?... Estás enganada. Eu puni-o justamente para não ter que o provocar. Verás que, elle tambem, não se atreverá a ser o provocador.
—E se fôr?