Nem um só doente ha que, depois de estar por muito tempo preso no quarto, não se sinta impaciente d'affrontar o ar livre, d'experimentar as suas forças.

Foi n'essas disposição confiantes que o visconde assistiu ao espectaculo da Opera, depois do qual se deu o fatal sinistro que narrámos no capitulo anterior.{29}

[III
Laura Linda]

Na lucta contra o amor nascente, que se travava no coração d'Antonino, o maior perigo, mas ao mesmo tempo o maior attractivo, era, mais do que o talento de Laura e até mais do que a peregrina belleza da cantora, o que o visconde sabia, porque todos o diziam, da vida e do passado da diva.

Tinha então vinte e seis annos e havia sete que cantava em theatros.

No apogeu da gloria, envolta n'uma atmosphera d'adorações e de sollicitações de toda a natureza, a Linda regeitara vinte propostas de casamento, e ninguem jamais lhe conhecera amante.{30}

A historia simples da sua vida explicava esse caso pouco vulgar.

Laura era hespanhola.

Seu pae, o celebre violinista José Marcia, descendia d'uma familia illustre porque era o ultimo representante dos condes de Marcia.

Nunca usara o titulo, do qual raramente fallava e sempre com uma especie de despreso.