Para elle só existia a arte, e considerava um grande artista superior a um rei.
De resto, era á arte que tudo devia, porque a antiga casa dos Marcias, era, desde muito tempo, uma casa arruinada.
O pae de José Marcia colhera os ultimos restos da fortuna patrimonial, mas a grande paixão que tivera pela musica tudo lhe levára.
O conde de Marcia suppunha-se um verdadeiro genio para a composição. O pouco dinheiro que possuia gastava-o na publicação das suas obras.
Vendeu a ultima quinta para fazer representar com luzimento, na Opera de Madrid, uma partitura de que era auctor, e com a qual contava assegurar a sua reputação e refazer a sua fortuna.
A opera, porém, cahiu desastradamente na primeira noite em que subiu á scena.
Por felicidade seu filho José, a quem elle communicára{31} o amor pela musica, tinha n'essa epocha vinte e cinco annos e gosava já de grande e merecida reputação de violinista.
Foi o filho que velou pela sustentação do pae.
O velho melomano apenas tinha uma idéa fixa: desforrar-se.
Compoz ainda duas ou tres operas; e a muito custo conseguiu o filho que elle as guardasse n'uma gaveta, para que a apresentação d'ellas ao publico não lhes levasse mais algum dinheiro.