Laura tinha razão: a vida para elle duplicára de valor, desde a vespera.
Lauretto Mina escolhera aquellas testemunhas, porque tanto Nobillet como Gressier, tinham assistido á scena de Remissy no concerto de Saint-Malo, e conheciam um pouco os incidentes e o visconde.
Foi Nobillet quem fallou.
—Vimos da parte, do sr. Lauretto Mina, sr. visconde, disse elle. O nosso collega assegura que vossa{321} ex.ª o insultou esta noite, gravemente. O nosso primeiro dever era procurar o sr. visconde para vereficarmos se as suas explicações condizem com as do nosso constituinte. Disse-nos o sr. Lauretto Mina que em tempo tivera relações com uma rapariga ao serviço da sr.ª viscondessa de Bizeux; parece que essas relações foram agora reatadas, e que elle passou a noite anterior no quarto d'essa rapariga. Por acaso vossa ex.ª encontrou-o, e sem razão, sem provocação da parte d'elle, agarrou-o pelo casaco como se fôra um gatuno vil, arrastou-o para o vestibulo, indicando o nome d'elle, por entre injurias, ao porteiro do predio, e arremessando-o depois para a rua, com violencia. São verdadeiras estas declarações, sr. visconde?
—Completamente...
—Vossa ex.ª pode naturalmente interpretal-as e explical-as, e nós estamos ás suas ordens para acceitar os esclarecimentos com que quizer honrar-nos.
—Nada tenho que explicar, replicou Antonino. Encontrei o sr. Lauretto Mina sahindo do quarto da creada da minha mulher, na casa que ella habita. Irritei-me e pul-o fóra.
—Vossa ex.ª disse em voz alta que elle tinha violentado a rapariga. O sr. Lauretto Mina affiança que não houve a menor violencia.
—Ignorava e ignoro esse facto.
Nobillet proseguiu:{322}