Em seguida subiram para as carruagens, de volta a Paris.
—Onde está o sr. de Bizeux? perguntou Laura a Despujolles. Tenho que fallar-lhe. Quero que me acompanhe a Paris no meu coupé.
—Não faça tal, minha querida, disse-lhe em voz baixa o doutor. Durante a festa não se fallou senão na especie de monopolio que o visconde tinha feito da diva.
—Se eu era a rainha de festa, quer-me parecer que elle era o heroe d'ella.
—Sem duvida, mas siga o conselho d'um amigo. Vou subir comsigo e com o visconde para o coupé. Deixal-os-hei, se quizerem, em Verinet, d'onde seguirei para Paris no comboio. Repito-lhe: não parta só com o visconde. Lembre-se do que poderão dizer.
Laura levantou a cabeça com altivez e replicou:
—O que poderão dizer?... Que me importa?... O meu caro doutor conhece a minha divisa: ser e não parecer. Repito-lhe que tenho de conversar seriamente com o sr. de Bizeux, e não sei se, com a timidez de que elle é dotado, acharei occasião tão{78} propicia como esta. Supporá o dr. que ha na minha intenção qualquer pensamento menos digno?
—Eu? não, seguramente, mas.
—Basta-me isso. Ah! Eis o sr. de Bizeux! ajuntou ella elevando a voz. Senhor visconde, tenho que fallar-lhe. Quer subir para a minha carruagem e acompanhar-me até Paris?
—Oh! minha senhora!... respondeu Antonino meio compromettido, meio alegre.