—Então venha. Subiram para o coupé diante de todos.
—Bravo! disse Lauretto Mina a meia voz, mas por fórma que foi ouvido por todos os que o rodeavam. Vejo com prazer esboçar-se o numero um... porque eu quero ser o numero dois!{79}
[VII
Explicações]
A palestra de Laura e de Antonino versou, ao principio, sobre assumptos indiferentes, e quasi banaes.
Fallaram do almoço e dos convidados de Pozzoli.
O visconde não queria dizer o que pensava do emprezario e do tenor.
Fallou de Remissy, cuja familiaridade o incommodára por vezes, mas cujo enthusiasmo exuberante fizera com que sympathisasse com elle.
—Que coração tão bondoso o d'elle! disse Laura. É meu verdadeiro amigo! Meu pae dedicava-lhe grande affeição e profunda estima. Saberá quanto vale em o conhecendo melhor. Em Remissy não ha só{80} a admirar e a applaudir o artista consumado: é tambem um valente e um patriota sincero. Durante a guerra da insurreição da Hungria, elle foi um dos primeiros que se apresentou, e não quiz nem espingarda nem sabre. «Tenho horror de matar ou de ferir, disse Remissy; de resto, como não sei servir-me d'essas armas, era capaz de dar cabo de mim com ellas». Em compensação não largou o violino, e appareceu sempre onde mais accesa era a lucta, ao lado de Kossuth, tocando admiravelmente o Hymno de Rakoçki, por entre as ballas e a metralha, sem nunca falhar uma nota!
Depois d'um curto silencio, a cantora accrescentou:
—N'uma palavra: Remissy é um homem. Tem, superior a todas, a qualidade que eu considero mais essencial ao caracter dos homens, a qualidade que o sr. visconde possue: a lealdade.