[I
A catastrophe]

—Apaixonado por uma cantora... por uma mulher do theatro... eu?!... Ora adeus!... não pode ser!... Hei de ver isso!

Assim monologava o visconde Antonino de Bizeux, acabando de vestir-se.

E sorria desdenhosamente, tomando um aspecto arrogante, como se quizesse illudir-se sobre o estado do seu coração, persuadindo-se estar curado da paixão que sentira, nos ultimos tempos, despertar em si.

—Hei de ver isso... hei de ver isso!... repetia,{6} procurando qualquer coisa pelo quarto, destrahidamente, porque nada lhe faltava, a não ser que chegasse a hora d'ir para a Opera.

Os labios diziam: hei de ver, mas o coração tinha visto já.

Amava Linda, a estrella do dia, a diva que, do ceu da Opera, scintillava sobre Paris fascinado.

O visconde obtivera-se d'assistir ás ultimas quinze representações, fugindo assim á fascinação que a grande artista exercia sobre elle.

Tratava, pelo afastamento, o começo da paixão, que o assustava.

Durante esse tempo violentára-se, domára o coração com a grande força de vontade que possuia, e julgava-se curado, por isso.