O theatro da rua Le Peletier annunciára, para aquella noite, um magnifico espectaculo, em beneficio das victimas d'um sinistro recente.
Cantavam-se os Huguenottes, desempenhando Laura Linda, pela primeira vez, a parte de Valentina.
Toda a primeira sociedade parisiense devia assistir á representação, porque no camaroteiro não restava um só bilhete.
Antonino ia tornar a ver Linda triumphante, acclamada.
Se procurava uma occasião para experimentar-se, não podia encontral-a melhor.{7}
—Irei aos Huguenottes! resolvera elle, depois de curta discussão comsigo mesmo. Sem duvida ficarei certo de que estou completamente curado, mas se, por acaso, ao ver Linda sentir a mesma impressão, simultaneamente dolorosa e suave, de que necessito defender-me, juro que ámanhã de manhã partirei para Saint-Malo, e que só no começo do inverno voltarei a Paris.
E foi para a Opera, onde o esperava a sua cadeira d'assignatura, abandonada por mais de quinze dias.
Trocou apertos de mão e palavras de cumprimento com alguns conhecidos que encontrou, e dois ou tres amigos disseram-lhe familiarmente:
—Adeus, formoso bretão!
Antonino era, efectivamente, um bello rapaz.