—Já lh'o disse, mas vou repetir-lhe que o theatro é para mim como uma segunda vida, e que não devo nem quero renunciar a elle.

—Pois bem, Laura, eu é que não posso renunciar á sua mão. Talvez soffresse menos não respirando do que deixando de a ver. A senhora é para mim mais do que uma segunda vida, porque é a minha vida inteira! Não quer ceder ao meu pedido? Cederei eu ao seu.

E accrescentou com voz firme:

—Continue no theatro, Laura, e no dia em que me amar, será minha mulher!

Ella levantou-se, estupefacta, e soltou um grito de surpreza.

—É possivel?... O que disse?... Pois consente?... Deixar-me-ha ficar no theatro... depois de dar-me o seu nome?... Oh! meus Deus!...

Sentiu uma alegria enorme, inexplicavel, de que ella propria não comprehendia a significação.

Elle ajoelhou-lhe aos pés e disse:

—Sim... tudo... tudo! Consisto em tudo, com tanto que seja minha!...

Laura pôz-lhe uma das mãos na frontes e respondeu:{101}