O grande salão Luiz XVI, branco e ouro, era illuminado por um lustre enorme, e ornado de oito espelhos.
N'esse salão entrava-se por uma porta que se abria á direita do vestibulo.
No fogão de marmore de Carrara, entre dois Renommées ladeando um espelho elliptico, e encimado por um frontão em arco, elevava-se, n'um pedestal simples, o busto de Rossini.
Ao fundo, o piano d'Erard, um magnifico piano de cauda, ornado d'assumptos extrahidos a Watteau, a Lancret e Fragonard.
A sala de jantar ficava em frente do salão, á esquerda do vestibulo.
A sala de jogo, a sala de fumar, a bibliotheca, e a sala d'armas, eram no primeiro andar.
A primeira impressão que se experimentava ao entrar n'aquelles salões de velludo, seda e oiro, era a de falta d'ar.
Parecia que não se poderia respirar á vontade.
Sentia-se que se estava num meio artificial, falso.
Ao reparar-se para as ondas de luz que cahiam dos lustres e dos candieiros, perguntava-se se a luz do dia, a verdadeira luz, poderia penetrar alli.