As tapecerias e os estofos espessos dos reposteiros e dos cortinados, estavam como que impregnados{118} d'um perfume capitoso, que tornava pesada a cabeça, embaciados os olhos, oppresso o peito.

Ás onze horas os salões começaram a encher-se.

Áquella hora ainda não tinham chegado nem Laura nem o visconde.

Pozzoli, encontrando-se com Lauretto Mina, que tambem fazia um pouco de dono de casa, perguntou-lhe em voz baixa:

—Tens a certeza de que a tua casta diva não deixa de vir? Não achas possivel que o nosso bretão a prohiba de comparecer?

—Acho...

—Começo a antypathisar com o tal visconde de Bizeux! Em S. Germano a custo me cumprimentou, e ao receber o convite para a soirée d'esta noite, apenas me mandou o seu cartão, com estas palavras seccas, escriptas a seguir ao nome: acceita o convite do sr. Pozzoli. Desagrada-me deveras o pretencioso fidalgo!

—E eu gosto immenso d'elle, respondeu o tenor, rindo.

—Sim!... Porque?

—Porque cada vez amo mais a Linda, e estou convencido de que será o visconde quem me franqueará o caminho que conduz ao coração de Laura. Cedo-lhe o logar da melhor vontade. Em geral não se gosta{119} do successor, mas não ha razão para odiar o predecessor. Ah! Eil-o que chega!