Pelo que respeita ao commercio com o Transvaal, facilita-o a proximidade em que d'elle estamos, a sympathia que lhe merecemos, que maior seria se mais trabalhassemos, e ainda os tratados que a elle nos ligam.

Mas como condição essencial, necessario se torna que as nossas marcas sejam sempre as mesmas e que não succeda que, desde que um producto se acredita á custa de muito trabalho, os menos escrupulosos façam perder uma vantagem, que difficilmente se poderá recuperar. Não insisto, apesar de poder apresentar muitos exemplos, n'este facto, cuja importancia todos podem avaliar.

Muitos e variados são os productos com cujo commercio lucrariamos, quer no districto, quer no Transvaal, e de entre esses apenas me referirei aos que julgo de maior importancia.

Na cidade, temos o consumo proprio, que é o de uma cidade rica, e que deve ser exclusivamente fornecido pela metropole, ainda que á sombra de bem entendidos direitos de entrada, não tão exaggerados, que sejam apenas um incentivo ao contrabando.

No interior do districto, facil seria abrir mercado para os nossos vinhos brancos, convenientemente addicionados de aguardente, que{33} vão sendo preferidos ao alcool, não só porque realmente os cafres os apreciam mais, mas ainda porque julgam que se aproximam do branco, bebendo-os; os missionarios suissos, no districto, têm conseguido que grande numero de cafres deixem de embriagar-se com a aguardente, aconselhando-os a beber só vinho, que elles consomem conscienciosamente. Tambem apreciam muito o vermouth, ou uma mistura que em garrafas lhes é vendida como tal. Aproveitando estas tendencias, certamente abririamos um mercado bastante largo para os nossos vinhos, e praticariamos ao mesmo tempo uma obra meritoria prohibindo a importação do alcool industrial em Lourenço Marques e a sua venda aos indigenas.

Mas muitos outros generos se poderiam consumir no interior, além dos vinhos.

A polvora e as armas brancas, facas, machados, zagaias, etc., dariam lucros bastante remuneradores, sendo fabricados segundo os typos preferidos.

Os tecidos, quer de algodão, quer de lã, pannos e cobertores, podem ser enviados da metropole e vendidos com lucro, não só porque obtêm preços altos, mas ainda porque muito os poderia proteger a differença de cambio e um bem entendido direito protector, não difficil de fiscalisar. Os typos de algodões e cobertores preferidos deviam ser{34} mandados pelos governos do districto aos centros industriaes do paiz, afim de serem reproduzidos. Os algodões azues ou de fundo azul com desenhos brancos são muito apreciados; em 1893 trouxe varios typos de cobertores, que foram reproduzidos n'uma fabrica de Lisboa empregando-se lã de inferior qualidade, e sendo o seu preço de custo de 600 a 900 reis: taes cobertores tinham então em Lourenço Marques um preço de 4 a 6 shillings, o que dava margem para um commercio lucrativo.

Vendem os indianos aos cafres milhares de camisolas de malha, de fatos completos, capotes, chapéos, fardamentos velhos, tudo de fabrico inglez ou allemão; e tudo poderia ser enviado de Portugal, dando margem a lucros importantes.

Para o Transvaal, o nosso principal ramo de exportação não poderá deixar de ser o vinho; a este e como annexo, poder-se-iam juntar as conservas, sobretudo de peixe, quando bem fabricadas e conservando as marcas.