--Comigo? continuou ella cada vez mais acariciadora e mais impressionada. Porque?

Jorge desprendeu a filha de si, tomou-lhe delicadamente a cabeça nas mãos, e imprimiu-lhe um novo beijo na fronte, ébrio d'affeição paternal.

--Porque! Ainda m'o perguntas!... Mas, que tiveste, ajuntou elle, mudando subitamente d'expressão, que ainda tens nos olhos os vestigios das lagrimas?

--Eu? respondeu Magdalena, tentando illudil-o.

--Tu, sim, minha filha; então não estou eu vendo que choraste.

--Não, papae, engana-se.

--Diz a verdade, Magdalena.

Magdalena, debaixo da impressão que a dominava fôra, pouco e pouco, sentindo subir de novo do coração aos olhos as lagrimas, que tentava sopear. Era um vulcão latente, prestes a romper n'uma erupção medonha. Quando, porém, Jorge instava ardentemente para que ella lhe revelasse a verdade, a afflicta menina não poude conter-se por mais tempo, não poude, nem por mais um momento, domar as ondas que lhe referviam no seio, e lançou-lhe novamente os braços ao pescoço, occultando o rosto, e exclamando soluçante:

--Sou muito desgraçada, papae!

E as lagrimas represadas romperam o dique que as detinha, cahindo copiosas dos olhos negros e formosos de Magdalena.