--Deixe-me descançar, papae... deixe-me serenar, e não se afflija....não?
--Então para que choras d'esse modo?
--Oh! exclamou ella, porque sou uma creança, papae!...
E sentou-se, como para descançar d'uma grande fadiga. O seio arfava-lhe com violencia. Tinha no rosto a pallidez sympathica, que tantas vezes inspira os poetas, e as mãos delicadas entrelaçadas uma na outra. Jorge, ao vêl-a sentada, ia ajoelhar-se junto d'ella, para mais uma vez, e carinhosamente, a interrogar, mas ella obstou a isso, accudindo de subito:
--Não, papae, sente-se aqui, ao meu lado...
--Mas conta-me o que tens, minha filha, disse elle, sentando-se. Bem sabes como devo estar soffrendo!
Magdalena, que conhecia bem a grandissima affeição, que seu pae lhe votava, e por consequencia, que bem avaliava as dores que o estavam alanceando, encheu-se de coragem, e disse-lhe, tomando-lhe as mãos:
--E não se zanga comigo?
--Não, minha filha.
---Então ouça-me.