Luiz sentiu como que subir-lhe o sangue á cabeça e turvar-se-lhe a vista, mas não respondeu. Chamava a prudencia em seu auxilio, porém o desafio d'Americo era forte de mais para que lhe podesse resistir.
--Então? interrogou novamente o mulato com ar de refinado cynismo.
Luiz guardou ainda silencio durante alguns segundos, mas occorreu-lhe a ideia de que o seu silencio poderia traduzir-se por cobardia ou humilhação e volveu-se então para o mulato, fitou-o corajosamente e perguntou tambem com voz firme:
--Então o que!
--Qual de nós vence? acudiu Americo sorrindo.
--Ainda o duvidas canalha! Pois não o duvides, infame. Ha-de vencer o justo, que sou eu, tão certo como seres castigado, que és o despresivel.
--N'esse caso provou-se a innocencia da menina?
--Provou-se que és um salteador infame e cobarde, da honra dos que te chamam amigos e te sentam á sua meza, que é o mesmo.
--Vê que me insultas! se não apresentas as provas!
--Quem desce a isso, biltre! Teme o castigo e não peças as provas!