Americo, esse receiava o castigo da sua infame tentativa, porque uma voz intima lhe segredava que todo o seu procedimento era reprehensivel, indigno e injustificavel.
Ainda assim, nem um nem outro tinham a certeza do negocio que alli os reunia, e isto dava ao mulato a esperança de que se agora não fosse fulminado, ainda poderia tentar o conseguimento dos seus fins, ou pelo menos indispor de todo Luiz e Magdalena.
Estava uma tarde explendida.
Os raios do sol vivo, que docemente ia descendo ao seu occaso, projectavam-se brilhantes no jardim, sobre que abriam as janellas da sala, onde esperavam Americo e Luiz, e imprimiam nas rosas brancas e nos jasmins perfumados uns reflexos da sua côr avermelhada e tropical.
Zumbiam as vêspas nos trançaes dos maracujás, volitavam rapidos, de flôr em flôr, deixando beijos em toda a parte, uns mimosos e pequeninos beija-flores, e cortavam o espaço, em mil caprichosas linhas, ora subindo, ora descendo, ora rapidas, ora vagarosas, algumas borboletas de tamanhos variados e côres vivas e formosas.
Lá ao longe, entre as folhas verdes do capim, andavam arraiando amores as juritys mimosas.
Luiz e Americo, cada um em sua janella, parecia estarem ambos embebidos na silenciosa contemplação das bellezas da natureza, do explendido quadro que tinham diante dos seus olhos, expressivamente scismadores. Longe, porém, e muito longe, estavam elles, dos encantos que alli se desenrolavam, e que, sem duvida, inspirariam muito a alma sensivel e contemplativa d'algum poeta ou d'algum artista.
Estavam, pois, assim, quando de subito se abriu uma porta, que, da sala espaçosa, ricamente mobilada e adornada, dava passagem para o interior da casa.
Os dous voltaram-se immediatamente, e ao mesmo tempo, dirigindo-se ao personagem que entrava.
Era Jorge de Macedo.