Trazia no rosto a expressão da affabilidade, mas ainda assim, carregada com as linhas sombrias d'uma severidade mal disfarçada. Quatro olhos se cravaram nos d'elle, como para traduzirem alguma cousa, os olhos de Luiz e d'Americo.
Seguiram-se os cumprimentos indispensaveis, de respeito e de boa cortezia.
Os dous, cada um pelo seu lado, haviam percebido que Jorge de Macedo não estava no seu estado normal, e os traços de mudança que lhe soletraram no semblante, mais se inclinavam para uma certa tristeza, para uma vaga melancolia, para o que quer que é d'um desgosto, embora pequeno ou mal traduzido, do que para a indicação d'uma irritação, d'uma exaltação, que rompesse em asperezas ou se desatasse em colericas insinuações.
Agora é que mais que nunca o receio os dominava. E o mulato, se não fôra a lembrança de que commetteria um acto d'inqualificavel cobardia, que mais provaria ainda contra o seu procedimento, decerto teria fugido, para nunca mais apparecer.
Teve tentações de fazel-o.
Era a propria consciencia que o estava accusando d'aquelle modo! Bastava a presença do juiz que ia julgal-o para o fazer tremer!
Luiz esperava receioso, mas resignado. E diante dos seus olhos surgia ainda formosa, explendida, encantadora, a imagem de Magdalena, que elle adorava muitissimo.
E na sua consciencia só tinha o espinho d'um remorso a magoal-o! Era o de haver tão impensadamente, quasi que insultado a mulher a quem desejaria agora lançar-se aos pés, implorando, humilde, um perdão para os arrebatamentos que lhe fizeram, a ella, derramar tão amargas e sentidas lagrimas.
E Magdalena?
E o cabinda?