O que faziam os dous, agora, no momento em que talvez se fosse decidir da ventura d'aquella e d'alegria intima dos ultimos dias da velhice d'este?
Depois do dialogo travado na varanda, foram ambos cautelosamente collocar-se atraz d'uma porta fechada, que communicava com a sala grande, onde se achava Jorge, com Luiz e Americo, a fim de verem se era possivel escutarem o que se passava.
Chegaram no momento em que terminavam os cumprimentos dos dous socios do capitalista, e quando este delicadamente lhes offerecia duas cadeiras, collocadas ao lado do sophá, onde tomou assento tambem.
Jorge ficou, assim, entre os dous; Luiz á direita e Americo na esquerda.
Houve um momento de silencio.
Os dous esperavam d'olhos cravados no chão. Jorge dispunha-se para começar, e dentro, Magdalena e o cabinda, tentavam abafar a respiração para que nem essa trahisse a sua presença, alli, atraz da porta que os escondia, mas que os devia deixar ouvir tudo.
Que contrastes no intimo de cada um d'aquelles individuos! Que mares, tão diversos nas suas agitações, no seio de cada um d'aquelles personagens!
XIX
Sentaram-se os tres, e houve, como já dissemos, um momento de silencio completo, em que até pareciam sustidas as respirações.
Depois, Jorge esfregou vagarosamente as mãos nos joelhos, gesto este, que póde talvez traduzir-se por uma certa repugnancia, ou por uma certa difficuldade em abrir a conferencia, para a qual havia chamado os seus recentes socios, e em seguida começou assim, com ar de gravidade: