--O negro, senhora moça!
--E que fazias ahi de joelhos?
--Olhava para a minha filha, que dormia...
--E que sonhava tambem, cabinda. Tu nunca sonhas, quando dormes?
--Sonhar? repetiu o cabinda. Á noite, quando o negro se deita, e faz escuro em volta d'elle, o cabinda vê a sua senhora, que foi para a terra do Pai dos brancos; vê a senhora moça muito contente, com a cabeça cheia de rosas lindas, e o senhor a dar muitos beijos n'ella. E o cabinda lembra-se, tambem, dos seus filhos e da sua companheira, e chora de noite lagrimas no escuro.
--Coitado!
--Oh! mas o cabinda é alegre, como o jacaiol da floresta, quando a sua filha ri e falla ao negro!
--Pois olha, meu amigo, estou agora muito triste... muito!...
E Magdalena ficou como que embebida n'uma ideia que a dominava, com o rosto em visivel expressão de melancholia.
--E que tem a senhora moça? perguntou o negro com anciedade e receio. O cabinda não a quer triste; as arapongas que chorem, quando o caçador as ferir.