--Nem eu sei o que tenho. Vamos andando que eu conto-t'o.
E tornando a prender as flôres entre as folhas do livro, seguiu, acompanhada pelo negro, uma das aleas oppostas áquella por onde tinha chegado ao lago.
Magdalena ia vagarosa e pensativa; o negro, ao lado d'ella, caminhava abstracto de tudo, sem vêr mais nada.
Que magestoso quadro aquelle!
Magdalena era o anjo meigo e deslumbrante, da mocidade cheia d'explendores, a que sorriem todas as esperanças, e para o qual todos os horisontes são vastos, largos e floridos!
O cabinda era o velho escravo, fiel e dedicado, capaz de tudo para salvar a vida dos seus senhores, saltando de contente com dois affagos e humilhando-se submisso á menor reprehensão.
Os dois caminhavam a par.
Era n'essa hora mysteriosa dos esponsaes do dia com a noite.
Por sobre as suas cabeças arqueava-se, verdejante, o docel das jaqueiras, d'um lado, e dos ramos frondosos das mangueiras, do outro. As aves já se haviam retirado aos gratos asylos.
--Tu sabes o que são saudades, cabinda? perguntou Magdalena ao negro.