Magdalena, a todos attende e não esquece nenhum. De si é que ella cuida pouco.
Entre os serventes nota-se o cabinda. O negro anda entalado nas dobras d'uma gravata branca, cujo laço fôra feito pela sua filha, e veste uma roupa nova de pano preto fino. Anda doido d'alegria, ebrio com a alegria da sua filha.
O negro lança todavia, de quando em quando, uns olhares de expressivo despreso ao mulato que janta, e volve-os depois para Magdalena, como que dizendo-lhe:
--Foge d'elle!
O guarda-livros, que se chama Luiz de Mello, e o mulato caixeiro, de nome Americo de Abreu, olham tambem a seu turno para Magdalena e depois um para o outro.
Ella, porém, a formosa filha do cabinda, parece prestar mais attenção a Luiz, sem que por isso deixe de ser delicada com todos os outros.
Os pratos teem-se succedido, os copos esvasiado algumas vezes, e tanto se tem comido como fallado.
A alegria assentou-se com os convivas á meza d'aquelle festim.
Começam as sobremezas e vão principiar os brindes.
Magdalena é a primeira. Está porém, um pouco acanhada em presença dos seus hospedes porque tomando o calix, vieram colorir-lhe o rosto duas rosas de purissimo rubor.