Magdalena foi agradecer em nome de seu pae a lembrança dos escravos.

O cabinda seguia-a com os olhos, a faiscarem alegria, gritando como doido:

--O branco veiu, senhora moça; o branco é bom e gosta da minha filha!

Americo, descendo para o jardim, approveitava um momento, em que só Luiz podia ouvil-o, para lhe dizer, com certo ar de cynismo;

--Temos ambos igual quinhão no negocio: agora veremos quem leva a filha!

V

Pouco depois era servido o café.

Jorge e Americo, tomavam-o, conversando sentados em duas pittorescas cadeiras de bambús, á entrada de um formoso caramanchel de trepadeiras floridas.

Os caixeiros mais novos passeiavam pelo jardim e pela chacara, gosando a liberdade, que lhes era concedida, desforrando-se da prisão quotidiana, e do serviço quasi aturado do armazem.

Magdalena, a formosa filha do cabinda, andava de canteiro em canteiro, mostrando a Luiz de Mello as suas flôres; apontando, deslumbrante de candidez, as particularidades de cada uma, a idade e a procedencia, com a convicção de quem conhecia alguma coisa de botanica, e um tanto orgulhosa dos cuidados, que empregava com as predilectas suas irmãs.