Luiz segui-a e ouvia-a como fascinado, parecendo-lhe mais que estava passando por um d'estes magicos sonhos de delicioso encanto, que tantas vezes embalam a imaginação juvenil, do que assistindo á realidade de vêr e ouvir ao seu lado um anjo, esplendoroso d'encantos, e suavissimo d'harmonia nas fallas.

--Olhe, dizia Magdalena alegre, radiante e sempre formosa; olhe este pé de suspiros. Não é tão, bonito?

--Formoso, minha senhora.

--E estas saudades, não são tão lindas?

--Muitissimo. Saudades... as flôres symbolicas dos que soffrem; dos que, como eu, longe da patria, aonde deixaram a familia, vivem na esperança de lá voltar, sem terem, comtudo, n'ausencia d'ella, um affago, que lhes adoce a aridez do trabalho; um carinho, que lhes lisongeie o sentimento, um consolo n'este correr da existencia, isolado, monotono e, por muitas vezes, triste.

--O senhor Luiz tem muitas saudades da sua terra, tem?

--Se tenho!...

--Tambem eu as sinto! disse Magdalena com ar melancholico.

--Saudades, minha senhora?! perguntou Luiz admiradissimo.

--Sim, admira-se?