Magdalena pensava em Luiz, estava-o vendo n'aquella hora, como o vira em sonhos tantas vezes, nas noites em que o seu coração sentia o mal estar d'um vacuo incomprehensivel. Meigo e bondoso, affavel e doce, lá lhe estava sorrindo, lá lhe estava fallando com a sua voz attrahente!

E ella tinha saudades d'elle, saudades do dia que havia passado, e saudades d'aquelle passeio pelo jardim, ao seu lado!

Quizera-o alli sempre, quizera-o junto a si eternamente!

Oh! que alternativa não estava passando o seu viçosissimo coração!

D'um lado as claridades magicas do amor nascente, as promessas de Luiz, o preenchimento do vacuo, dos desejos ardentes que ella não comprehendia!

Do outro, a ausencia, a distancia, o atear d'aquelle fogo sublime, a sêde d'aquellas flôres, que haviam brotado na sua alma, a noite d'aquelle dia tão repleto de encantos, a soledade, emfim!

Ó mocidade! como és formosa com as tuas esperanças, com os teus receios, com as tuas alegrias, com as tuas lagrimas, com todos esses contrastes, que te agitam o seio, onde tudo é vida, onde tudo é enthusiasmo e delirio! Sonhas de dia acordada, e velas de noite repousando! Nas paginas do teu livro, se ha cantos melancholicos, ha tambem poemas d'infinita ventura, por que o amor, que te doura as flôres e os dias, é a fonte, onde, com uma lagrima, brotam muitos gosos.

E Magdalena continuava a scismar.

Era a primeira noite d'amor; o somno cedeu o logar aos receios e ás esperanças. Dentro de sua alma e do seu coração havia um murmurio de harmonias, constante, como o murmurio das cachoeiras da floresta.

Ella tinha diante de si uma imagem e nos labios um nome--a imagem e o nome de Luiz.