Este velava tambem.
Scismava em Magdalena, e estava-a vendo com os olhos do seu amor, perpassando diante dos olhos do corpo, airosa, gentil e meiga, como a vira n'aquelle jantar, que nunca mais poderá esquecer, e como a ouvira n'aquelle jardim, de que ella era a flor mais candida e mais formosa.
Luiz habitava na rua dos Pescadores, no Rio de Janeiro, o terceiro andar da casa do armazem de Jorge de Macedo.
Era confortavel o seu aposento, que elle andava percorrendo, visivelmente preoccupado, d'um a outro extremo.
É pequeno agora o ambito do seu coração para conter tudo quanto está sentindo. Um mundo, vastissimo d'esperanças, se está desenvolvendo diante dos seus olhos, no meio do qual avulta, radiante, o anjo de Magdalena.
Encheu-lhe o amor o seio.
Elle, que vivia tão descuidado, entregue ás saudades da patria e da familia, e ao desempenho das suas obrigações, esquece-se de tudo isso, agora, esquece mesmo a imagem, duplamente santa, de sua mãe, para só se lembrar de Magdalena, que lhe era uma pessoa estranha, uma pessoa indifferente.
Oh! o primeiro amor!...
Eram fortissimas as inspirações que o dominavam e tanto mais quanto menos as esperava.
Magdalena deslumbrara-o, não só com a sua belleza, mas muito mais ainda com a sua ingenuidade, com os seus modos despertenciosos, e com a sua franqueza.