Foi um anjo que lhe surgiu do céo, a elle, que andava na terra com a aridez no coração.

Todavia um vago pressentimento d'uma fatalidade o vinha acabrunhar por vezes.

Aquellas palavras d'Americo, quando, depois do jantar, desciam ambos para o jardim, soavam-lhe ainda aos ouvidos e eram-lhe desagradaveis.

Deram-lhe a conhecer que o mulato pertendia tambem Magdalena, e o mulato era capaz até d'uma infamia para a conseguir.

Luiz conhecia-o bem, estava ha muito tempo em contacto com elle, e tinha-o mesmo estudado.

Americo tinha os maus instinctos e a indole dos da sua raça, embora apparentemente adoçados por uma educação rasoavel, e pela convivencia d'aquelles com quem as suas obrigações o levavam a tratar.

O jantar tinha sido n'aquelle dia, e desde que elle findara, ou antes, desde que em casa de Jorge, os dois se separaram, ainda não tinham trocado uma palavra, porque ainda se não tinham encontrado.

Luiz tinha, porém, a certeza de que o mulato não guardaria silencio, e dispunha-se a combater a todo o transe, se tanto fosse preciso...

Que importavam a Luiz as pretenções d'Americo, se Magdalena jurára amal-o, invocando a sacratissima memoria de sua mãe?

Que lhe importava que o mulato, ferido no seu amor proprio, no seu orgulho e nas suas ambições, pelo despreso ou pela indifferença de Magdalena, o tentasse desthronar por meios ardilosos, por infamias até?