--Ah! suspirou Magdalena, enlevando-se nos sonhos do seu affecto. Ah! se tu soubesses como eu o amo!

--É como o cabinda á sua parceira e aos seus filhos que lhe tiraram.

--Mais, mais ainda! Tu não imaginas como eu sou doida por elle! Pertence-lhe a minha vida, o meu coração, a alma, o pensamento! Sou toda d'elle, e não poderia viver sem elle. Tu, oh! tu não sabes o que eu sinto, não! Penso n'elle de dia, de noite, a toda a hora, e sempre! Tu contentas-te em ter saudades da parceira, que te tiraram, dos filhos de que te separaram; e eu morria se elle me faltasse, morria, sim!

--E o branco tambem quer muito á minha filha, muito; acudiu o cabinda, a quem o enthusiasmo de Magdalena, havia enthusiasmado tambem.

--Quem sabe? murmurou ella, n'uma expressão d'alguma duvida.

--O negro vê. Hontem, no jantar, os olhos do branco buscavam os olhos da senhora moça. Eram como a jurity do matto, a chamar a companheira entre as folhas do capim...

--Isso era hontem, mas agora?... respondeu Magdalena com melancholia.

--Agora, senhora moça, o negro vai e hade trazer alegrias á sua filha.

--Vem depressa, ouviste?

--O negro não tardará.