Bem pelo contrario, fallavam, consultavam-se, e olhavam-se, como duas pessoas ligadas por estreitissimos laços de amisade e de sympathia.

A presença de Jorge continha-os dentro dos limites do respeito. Além de que, qualquer d'elles se julgava culpado perante a propria consciencia. Luiz ainda podia alliviar a culpa com a ideia do sentimento que o dominava, do amor que lhe estava enchendo o coração. Americo, esse, não tinha uma unica appellação.

Jorge voltou de novo ás duas horas e foi encerrar-se com Luiz no escriptorio. Conversaram por largo tempo, e quando ás tres da tarde sahiu para regressar á chacara, chamou Americo e disse-lhe:

--O senhor Luiz sahe amanhã no vapor das 8 horas para Macahé. Vai a negocios meus. Quando vier a correspondencia abra e dê as suas ordens como entender conveniente.

--Sim, senhor.

--Se até eu chegar, fôr preciso alguma coisa queira mandar-me aviso ao Botafogo.

--Não ha de ter duvida.

--Adeus.

Apertaram as mãos e Jorge sahiu.

Americo exultou de contentamento com a inexperada sahida de Luiz. Eram, pelo menos, quatro dias de demora, e em quatro dias podia, pensava elle, conseguir derrubar o seu rival do throno aonde começava a sentar-se.