Luiz ficou triste com a noticia, pelo lado do coração. Assaltaram-o logo as saudades por Magdalena, e, sobre tudo, a ideia de que o mulato poderia aproveitar a sua ausencia para commetter alguma infamia.

Exultou, porém, pelo lado da consciencia, porque ia desempenhar uma missão, em nome d'aquelle, a quem devia amisade, estima, confiança, e fortuna até.

Estava d'um lado o amor, do outro o dever.

A ausencia ia ser por poucos dias e uma voz intima lhe segredava ao coração, que havia de voltar a encontrar Magdalena, firme ainda no seu juramento, constante no seu affecto.

Luiz confiava na pureza dos seus sentimentos, e tanto bastava para crêr que um anjo bom havia de proteger a sua causa.

Demais, bem sabia elle que o cabinda olharia pela sua filha.

Todavia Luiz não queria partir sem annunciar a Magdalena a sua ausencia. Ainda tinha tempo.

No dia seguinte, ás sete horas, já elle andava de pé.

O mulato passára a noite a fazer e a desfazer planos. A ausencia do seu associado sorria-lhe fagueiramente. No entanto nada poude decidir positivamente, porque tinha a certeza de que Luiz tomaria todas as precauções.

Além d'isto, um dos maiores obstaculos que se levantavam, em face de qualquer resolução tomada, era o negro, era o cabinda de quem tinha, sem duvida, muito e muito a receiar.