Ainda hontem a embalavam as harmonias dulcissimas das palavras de Luiz, os perfumes magicos das flôres mimosas do amor, que elle lhe protestava, os sonhos deliciosos da ventura tão suspirada!
Pobre creança!
Americo recebeu a resposta de Magdalena n'uns alvoroços de louca alegria. O mulato esperava agora, no meio d'uma grande anciedade, que a noute descesse, com o seu manto de sombras e de escuridão, para realisar os seus planos.
A carta de Luiz a Magdalena estava em seu poder. O mulato commettera a infamia de a abrir, de devassar o seu contheúdo.
Para elle, aquella folha de papel, era uma preciosidade que valia muito.
Não podia ella servir para comprometter o seu socio, o seu rival? Não bastaria que elle a apresentasse a Jorge, para que este o despedisse logo, sem o minimo processo investigatorio? Não revelava ella um abuso da parte de Luiz?
O mulato ia fazendo todas estas considerações, no meio da alegria que o dominava.
O bilhete que Magdalena mandára a Americo não seria tambem sufficiente para mostrar a Luiz que ella aproveitára a sua ausencia, para conceder a outro uma entrevista, a horas, de mais a mais, tão pouco proprias?
No entanto, a formosa virgem, estava oppressa debaixo dos sobresaltos e dos receios, das esperanças e das saudades.
Valia-lhe o seu piano. Unico amigo, unico confidente, unico sacrario, permittam-me a comparação, onde espraiava os sentimentos, que a agitavam, o harmonioso instrumento devia de futuro ter uma grandissima pagina no seu livro de recordações.