Estava lendo, a meia voz, estes admiraveis versos:

«Longe, por esse azul dos vastos mares, Na solidão melancólica das aguas, Ouvi gemer a lamentosa alcyone E com ella gemeu minha saudade...»

quando Luiz surgiu á porta, através do reposteiro, que a velava.

Vinha pallido, como que acabrunhado, mas luziam-lhe nos olhos as chammas rubidas do fogo do ciume, do desespero e da descrença.

Magdalena não o esperava e, ao vêl-o entrar deixou cahir o livro das mãos e correu para elle, gritando commovida:

--Ah! ainda bem que veio!

Luiz recebeu-a com frieza, furtou as mãos ás mãos d'ella que as procuravam, e recuou dous passos dizendo:

--Perdão, minha senhora, se venho interrompel-a!

--Luiz!... acudiu ella, vendo o modo como elle se apresentava.

--Não venho aqui, minha senhora, para continuar a ser o ludibrio dos seus caprichos de creança! Lamento as horas que perdi, pensando em V. Ex.a, como se pensa no nosso anjo da guarda, como se pensa na visão seductora dos sonhos do nosso amor purissimo...