10.º—Os funeraes d'Alexandre.
«Alexandre—diz Bossuet—deixava, morrendo, capitães a quem tinha ensinado a respirar sómente ambição e guerra. Previu a que excessos se dariam, quando expirasse, e para os conter, e com receio de ser desrespeitado, não ousou nomear nem successor, nem tutor para seus filhos. Predisse sómente que os seus amigos celebrariam os seus funeraes com sanguinolentas batalhas.»
11.º—Desmembramento do imperio d'Alexandre.
Apenas Alexandre exhalou o ultimo suspiro, os generaes reuniram-se para dividirem a sua immensa herança. Perdiccas, a quem Alexandre moribundo deixára o seu annel, fez-se nomear regente; e os outros generaes distribuiram entre si as provincias. Lysimaco teve a Thracia, Antipater a Macedonia e a Grecia, Ptolomeu o Egypto, Antigono e Cassandro repartiram a Asia Menor. Vinte annos depois encontravam-se nas planicies da Phrygia, e a batalha de Ipsus era o ultimo acto d'essa sangrenta tragedia.
III
Audacia, ainda audacia e sempre audacia
Danton, um dos vultos mais notaveis da revolução franceza, nascera para tribuno popular. Alto, forte, face de bull-dog, muito picado das bexigas, a expressão do olhar cheia d'audacia, alma em harmonia com a estatura, com o ardor dos olhos, o rosto terrivel, a voz sonora, não podia ser senão o que foi, um revolucionario enthusiasta, arrastando o povo, já pela sua palavra como pelos seus actos, já pela sua elocução muito cheia de figuras gigantescas, d'apostrophes inflammadas, assombrando mesmo os que não seduzia. «Mirabeau serviu-se d'elle—diz um escriptor contemporaneo—como de um folle de forja, para accender o povo.» Apoz a fuga de Varennes, Danton provocou atrevidamente a queda do rei, fez-se eleger substituto do procurador da communa, preparou a revolução de 10 d'Agosto e entrou no ministerio da justiça.
Esse famoso dia levantou toda a Europa contra a França revolucionaria. Brunswick, acaba de lançar o seu insolente manifesto; os exercitos francezes tinham experimentado revezes na Lorena; Longwy estava tomado, Verdun cercado, e o alarme reinava em Pariz. Para reanimar as coragens, Danton resolveu vibrar um grande golpe. Era no 1.º de Setembro. No dia seguinte, 2, em quanto o sino tocava a rebate e o estampido do canhão se fazia ouvir, elle correu á Assembleia legislativa, e, n'um discurso rapido, fez ouvir estas terriveis palavras aos deputados, trémulos nas suas cadeiras: «É n'este momento, senhores, que podem decretar que a capital bem mereceu da França inteira. O canhão que se ouve não é o canhão do alarme, é o passo de carga sobre os nossos inimigos!... Para os vencermos, para os anniquilarmos, que é preciso? Audacia, ainda audacia e sempre audacia!»
Algumas horas depois os massacres de Setembro espantavam Pariz.